Perguntas frequentes

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Tenho enxaqueca e algumas vezes a dor vem com embaçamento da visão, devo fazer algum tratamento?


A enxaqueca, ou migrânea, é uma das causas mais comuns de dor de cabeça, acometendo uma porcentagem maior de mulheres que homens, e com um forte componente genético (entre 60 a 80% dos migranosos têm pelo menos um parente de primeiro grau com a doença).

Na grande maioria das vezes é uma condição benigna, em que o principal sintoma são dores de cabeça. A dor é modera à intensa, o que pode comprometer substancialmente a qualidade de vida do indivíduo. A enxaqueca é classificada em com ou sem aura. Aura são sintomas neurológicos focais, reversíveis, que duram habitualmente entre 5 e 60 minutos, quase sempre antecedendo a dor. Dentre os vários tipos de aura, a visual (turvação visual, "borrões", escotomas citilantes, etc) é a mais comum, e na maioria dos casos não leva à condições de gravidade neurológica.

O tratamento da enxaqueca envolve mudança de hábitos de vida, e uso de medicamentos para tratar a dor aguda e para prevenção das crises. Existem várias opções terapêuticas medicamentosas que podem levar a um bom controle das dores e assim trazer alívio e melhora na qualidade de vida. O tratamento preventivo está indicado se a dor recorre várias vezes durante o mês ou se o episódio de dor aguda é refratário aos analgésicos usados.




Meu pai teve um AVC isquêmico e estou com medo de também sofrer um AVC, o que devo fazer? Por que o AVC acontece?


Segundo estimativas atuais uma em cada quatro pessoas terá um acidente vascular cerebral (AVC) ao longo da vida. O AVC pode ser do tipo isquêmico (80%), em que há uma obstrução aguda da circulação arterial encefálica/cerebral devido à um trombo, ou hemorrágico (20%), no qual há uma ruptura vascular e extravasamento de sangue para o tecido cerebral.

Os principais fatores de risco são hipertensão arterial, diabetes mellitus, colesterol alto, tabagismo e arritmias cardíacas (fibrilação ou Flutter atrial). O indivíduo pode manifestar subitamente perda de força em braço ou perna, paralisia facial, dificuldade para falar ou entender o que lhe é dito, desvio lateral do olhar, alteração visual, dificuldades na coordenação e equilíbrio, dentre outros sintomas. Para definir o diagnóstico é necessário fazer um exame de imagem cerebral.

As formas de tratamento do AVC isquêmico agudo dependem do rápido reconhecimento dos sintomas e busca por atendimento médico emergencial. Após admissão no hospital, pode-se usar um medicamento trombolítico em até 4 horas e meia do início dos sintomas, caso o indivíduo esteja dentro dos critérios de inclusão para o uso. Outra terapia indicada é o procedimento para retirada do trombo e reperfusão cerebral chamado trombectoma mecânica, que pode ser realizada de em até 24 horas do início dos sintomas, a depender dos critérios de inclusão e da estrutura do centro de atendimento para abordar tais casos. A melhor maneira de evitar o AVC é controlando os fatores de risco, e isso envolve tratar as doenças de base, não fumar, evitar estresse, e fazer atividade física aeróbica regular.




Tenho doença de Parkinson e notei que estou perdendo o olfato, isso pode acontecer?


Por muitos anos, a doença de Parkinson (DP) foi clinicamente definida como um distúrbio eminentemente motor, se manifestando com lentidão e redução da amplitude dos movimentos, tremor de repouso, e rigidez muscular. Ao longo do tempo, esse tradicional conceito teve alterações significativas, e hoje, a DP é amplamente reconhecida como um distúrbio complexo com diversas características motoras e não motoras. Uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e clínicos, reconhecidos como sendo próprios da doença, podem levar à interferência na qualidade de vida.

A redução ou perda do olfato é um dos sintomas que podem acometer o indivíduo com a doença, sendo este, considerado o sinal não motor mais sensível para o diagnóstico da DP. Outros sintomas comuns são o transtorno comportamental do sono REM, a depressão, e a constipação intestinal. Admite-se atualmente que esses sintomas podem estar presentes anos a décadas antes das dificuldades motoras. Outros sintomas a se destacar são: dor, disfunção cognitiva, sintomas urinários e dermatite seborreica.

Para cada sintoma não motor existem formas de manejo e tratamento, no qual o envoltório médico-paciente-cuidador deve estar inteirado, com o objetivo de alcançar a melhor terapêutica, individualizando cada caso. Idealmente, é aconselhado uma abordagem multidisciplinar, envolvendo cuidados de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, e terapia ocupacional.

Reconhecer e tratar os sintomas não motores da DP é de fundamental importância para estabelecer uma boa qualidade de vida, visando sobretudo, garantir uma maior independência ao paciente, e menor sobrecarga ao cuidador.

Para mais informações acesse a sessão “Vivendo com Parkinson” em: www.parkinsoneeu.com




Minha memória está fraca, isso é um sinal de doença de Alzheimer? A perda de memória é sintoma de alguma doença neurológica?


Existem vários tipos de memória (imediata, de trabalho, recente, remota, episódica, semântica), todas essenciais para o perfeito funcionamento cognitivo.
A doença de Alzheimer, na maioria das vezes, se inicia com disfunções da memória recente, porém, alterações da memória nem sempre estão relacionadas à doença neurológica.

O ponto mais importante a ser delineado, é se a alteração da memória é somente uma queixa subjetiva ou se leva ao comprometimento cognitivo ou à dependência para realizar atividades que antes fazia de forma independente. De fundamental importância também é saber se há alguma causa identificável reversível que pode causar alterações da memória. Pode estar relacionada à transtornos psiquiátricos, uso de alguns medicamentos, hipovitaminoses, e doenças infeciciosas, inflamatórias e estruturais do cérebro.




Meu filho teve convulsão, ele tem epilepsia? É preciso fazer algum exame e iniciar um tratamento?


Para definir epilepsia é necessário pelo menos duas crises epilépticas em 24 horas, não provocadas por uso de substâncias ou fatores clínicos, ou, uma crise isolada associada à disfunção cerebral que leve ao aumento da probabilidade de crises futuras. Portanto, uma crise convulsiva não necessariamente define epilepsia.

O primeiro episódio de crise convulsiva deve sempre ser investigado com exames. Existem várias causas possíveis (lesões cerebrais, doenças sistêmicas, uso de substâncias, síndromes epilépticas, etc.), mas, na maioria das vezes, nenhuma alteração evidente nos exames é encontrada.

O início ou não do tratamento após uma primeira crise convulsiva irá depender de uma série fatores como, resultado de exames, histórico familiar e idade. Naqueles que a recorrência de crise oferece consequências em relação ao trabalho ou segurança em geral, é recomendado início do tratamento independente dos fatores de risco para nova crise.




Estou com muita tonteira e fui diagnosticada com labirintite, mas as tonteiras não passam. O que pode ser?


Existem muitas causas de vertigem (tonteira), dentre elas, a labirintite (infecção do labirinto) é uma causa pouco comum. Na maioria das vezes o termo labirintite é usado popularmente de forma errada para se referir à vertigem (sensação de que o ambiente em torno está girando).

O passo inicial na avaliação é definir se a queixa é uma vertigem ou uma tontura (sensação de fraqueza, zonzeira, mal-estar e turvação visual) o que sugere o diagnóstico de pré-síncope ou “pré-desmaio”. Uma vez diagnosticado vertigem, é de fundamental importância detalhar o tipo de vertigem para inferir a provável causa, que pode ser devido alterações clínicas, cardiológicas, alterações posicionais do labirinto, disfunções do nervo vestíbulo-coclear ou lesão encefálica. O tratamento dependerá da causa, e pode envolver técnicas de reposicionamento dos otólitos no utrículo do labirinto, uso de medicamentos, ou intervenção cirúrgica.




Meu esposo bateu a cabeça em um acidente de carro há 3 anos. Desde então vem tendo convulsões. Ele tomava fenitoína, e recentemente trocou por carbamazepina, porém as crises pioraram e estão com maior frequência. As medicações não são eficazes. O que fazer?


Primeiramente é importante saber se a epilepsia está realmente associada a esse traumatismo, e se tem uma etiologia (causa) definida ou desconhecida. Outro ponto relevante é saber o tipo de crise epiléptica (focal ou generalizada), para a escolha do melhor medicamento.

A carbamazepina é uma excelente opção para controle de crises focais, já para crises generalizadas, não é tão eficaz, apesar de poder ser usada para o tratamento. Um aspecto interessante é que a carbamazepina e a fenitoína podem piorar as crises, se estas forem crises do tipo mioclônicas.

Por fim, é de fundamental importância saber se o medicamento está na posologia e dose adequada. Algumas vezes, é necessário a troca ou associar mais de um fármaco antiepiléptico para o controle adequado das crises.




Minha pálpebra fica contraindo involuntariamente. Li que pode se tratar de mioquimia ou espasmo hemifacial. Como diferencia-los?


Semiologicamente, na mioquimia não há deslocamento do movimento. O espasmo hemifacial é uma mioclonia periférica, se manifestando com movimentos tônicos (mais sustentados em determinada posição) ou clônicos (movimentação abrupta, de início e término rápido, repetitiva).


Muitas vezes é difícil diferencia-los visualmente, e, nestes casos a eletrofisiologia pode revelar dados que ajudam a diferenciar. Por exemplo, na mioclonia há contrações com menos de 1000ms na eletroneuromiografia. Na mioquimia, o padrão de disparos, a morfologia da onda eletrográfica, e o som da miografia, são bem característicos. É importante fazer o diagnóstico correto para implementar a terapia adequada.




Tenho nevralgia do trigêmeo e foi indicado cirurgia, esta é a melhor opção de tratamento?


A nevralgia, ou neuralgia, do trigêmeo é caracterizada por episódios breves e recorrentes de dores do tipo choque elétrico, na distribuição de uma ou mais divisões do quinto nervo craniano (trigêmeo). Normalmente são desencadeadas por estímulos inócuos (estímulos que normalmente não desencadeiam dor, como o toque, escovar dentes, ou mastigação).

O tratamento inicial da neuralgia do trigêmeo clássica, sempre é com medicamento por via oral, sendo o carbamazepina o de maior eficácia comprovada. O tratamento cirúrgico é indicado somente em casos refratários (que não melhoram com uso de altas doses de medicamentos orais).




Fui diagnosticado com tremor essencial, existe tratamento?


Estima-se que o tremor essencial esteja presente em torno de 5% dos indivíduos acima dos 65 anos, porém, pode manifestar em qualquer idade, e tem um forte componente familiar/hereditário. É uma doença benigna, mas que pode trazer grandes dificuldades para as tarefas diárias, e também constrangimento social.

A forma clínica mais comum é o tremor de mãos, mas pode ocorrer em outros locais como cabeça, queixo e pernas. O diagnóstico é clínico, não necessitando de exames adicionais. Os principais medicamentos utilizados para o tratamento são o propranolol, a primidona e o topiramato. Existem outras formas de tratamento considerados de segunda linha, como a aplicação de toxina botulínica e a neuromodulação, que são indicados em casos selecionados, refratários à terapia com medicamentos por via oral.




O uso do clonazepam pode causar doença de Alzheimer?


A doença de Alzheimer, é uma patologia neurodegenerativa que se manifesta com disfunção cognitiva, mais especificamente da memória, além de alteração progressiva das atividades de vida diárias e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais. Ela é responsável por mais de 50% dos casos de demência em indivíduos com mais de 60 anos de idade.

Os principais fatores de risco são idade avançada, histórico familiar, e alterações genéticas correlacionadas com a doença. Cada vez mais, os fatores vasculares (hipertensão arterial, alterações do colesterol, diabetes mellitus, obesidade) tem sido relacionados à risco aumentado para doença de Alzheimer.

O uso do clonazepam não é fator de risco para doença de Alzheimer, mas é um potencial causador de disfunção da memória. Habitualmente, a alteração da memória causada pelo uso do clonazepam melhora após a suspensão do uso. Portanto, diante das evidências atuais, quem fez uso de clonazepam, não tem risco aumentado para desenvolver doença de Alzheimer.




A Esclerose Lateral Amiotrófica pode levar à inchaço muscular?


A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa, insidiosa, crônica, que compromete de forma progressiva e generalizada os neurônios motores. A forma de início dos sintomas é variável, mas invariavelmente causa fraqueza ou diminuição da força motora. Outros sintomas comuns são atrofia muscular, fasciculacões, dificuldades para deglutir, alterações dos reflexos miotáticos, espasticidade e dificuldade respiratória. Em alguns casos pode ter associação com uma demência, chamada frontotemporal. Existem variantes da ELA que podem se manifestar de forma peculiar, como a atrofia muscular progressiva, a esclerose lateral primária, a paralisia bulbar progressiva, e formas que afetam predominantemente os braços ou pernas, mas, em nenhuma delas o edema (ou inchaço) muscular está presente.
O edema muscular pode estar relacionado com outras doenças neuromusculares, como as miopatias.




Fui diagnosticada com um tumor denominado meningioma, há 4 anos. O primeiro médico que consultei queria me operar imediatamente, querendo comprovar a necessidade da operação me consultei com outro médico que disse não ser necessário operar. É isso?


O meningioma é um tumor do sistema nervoso central, na maioria das vezes benigno. Os sintomas neurológicos ocorrem quando o crescimento do tumor comprime o tecido cerebral adjacente. A indicação cirúrgica do meningioma deve ser analisada individualmente.

Meningiomas pequenos, que mudam pouco de tamanho com o passar do tempo, não invasivos, e assintomáticos, habitualmente não trazem maiores riscos, e podem ser observados evolutivamente, com exames de imagem cerebral a cada ano, por exemplo. Já tumores que causam sintomas neurológicos, invasivos, ou que estão localizados em áreas de maior risco, em que o mínimo crescimento pode levar a sintomas neurológicos graves, devem ser avaliados para um tratamento cirúrgico.




Meu pai foi diagnosticado com Paralisia Supranuclear Progressiva, existe tratamento?


A Paralisia Supranuclear Progressiva, ou "PSP", é uma doença que acomete pessoas geralmente na sexta ou sétima década de vida. Sua principal característica patológica, envolve a disfunção de uma proteína denominada "TAU", essencial para a estruturação do citoesqueleto celular dos neurônios. Com a proteína TAU anormal, ocorre falha na função celular, principalmente de regiões do encéfalo como os gânglios da base, o mesencéfalo, e o córtex frontal, estruturas essas fundamentais para o controle e automatismo dos movimentos e para controle do tônus muscular.

Os principais sintomas são o parkinsonismo (levando à dificuldades motoras, como rigidez, lentificação dos movimentos, alterações na marcha e quedas), alterações na movimentação ocular, disfagia (dificuldade para deglutir, causando engasgos frequentes), e disfunções cognitivas e do comportamento. O diagnóstico é realizado a partir da suspeita clínica e exclusão de outras doenças neurológicas que podem parecer com PSP. O tratamento envolve uso de medicamentos, e acompanhamento fisioterápico e fonoaudiológico. Apesar de não promover a cura, a terapia medicamentosa é importante para obter melhora na qualidade de vida.




Meu avô tem tremores no queixo muito fortes, que não consegue evitar, e interfere na mastigação. O que pode ser isso?


Primeiramente é importante avaliar se realmente é tremor. Outros movimentos involuntários, como distonia ou discinesia, podem se apresentar com disfunções oromandibulares ou mastigatórias e confundir o diagnóstico.

Várias doenças neurológicas podem causar tremor no queixo, como doença de Parkinson, tremor essencial, tremor tarefa específica, tremor distônico e até mesmo uso de alguns medicamentos.

O diagnóstico envolve sobretudo a caracterização do movimento anormal, e, se tratando de tremor, é importante saber qual é a doença causadora para indicar o tratamento adequado.